ESTIMA-SE QUE, TODOS OS ANOS, OS OCEANOS SEJAM POLUÍDOS COM CERCA DE 4,8 MILHOES A 12,7 MILHÕES DE TONELADAS DE PLÁSTICOS.

2020: O ano mais perigoso que há registo para ativistas ambientais

Ativistas_ambientais

O ano passado ficou marcado pela pandemia da COVID-19, em que outros assuntos ficaram para segundo plano, como os direitos humanos, que não podemos esquecer e necessitamos urgentemente de continuar a lutar. Exemplo disso é que, segundo a Global Witness, em 2020 foram assassinados 227 ativistas ambientais, o ano mais mortífero de sempre em que há registo. 

O custo elevado de defender o ambiente

227 pessoas mortas em 2020 por defender o nosso planeta, o que faz uma média de mais de 4 pessoas por semana. Porém, a Global Witness salienta que o número pode ser muito mais elevado, pois existem muitos assassinatos não reportados e em alguns países este fenómeno é difícil de analisar, havendo falta de estruturas independentes para monitorização destes ataques e restrições impostas aos jornalistas. Ativistas são também alvo de outros crimes, como violência sexual, para os intimidar e silenciar. As 3 razões mais apontadas para assassinatos são os ativistas lutarem contra desflorestação, recursos hídricos e setor mineiro.

Ademais, todos os assassinatos, exceto um registado no Canadá, foram registados em países do hemisfério sul, mostrando como essa área é desproporcionalmente afetada pelas alterações climáticas. Outra desigualdade registada é, apesar de as comunidades indígenas serem só 5% da população mundial, elas foram um terço destes ataques fatídicos. 

O maior número total de assassinatos aconteceu na América latina, sendo a Colômbia o país mais afetado com 65 assassinatos, seguido do México, com 30 assassinatos. O top 3 é completo com um país do sudeste asiático, a Indonésia, com 29 mortes. Se analisarmos per capita, Nicarágua foi o país mais perigoso com 12 assassinatos.  

Colômbia

Como escrito anteriormente, se analisarmos o número total de assassinatos, a Colômbia foi o país mais mortífero, o que já se tinha registado em 2019, com 64 mortes. Um terço dos ativistas mortos eram de comunidades indígenas ou afro-descendentes, e quase metade eram pequenos agricultores. A pandemia, levou à proteção governamental a ser diminuída e, em conjunto ao confinamento imposto,  tornaram os ativistas alvos mais fáceis, sendo atacados nas suas próprias casas. 

República Democrática do Congo

Em África, foram registadas 18 mortes em 2020, um aumento de 7 em relação a 2019. O país mais afetado foi a República Democrática do Congo com 15 assassinatos. Em Abril do ano passado, 12 guardas florestais foram assassinados no Parque Nacional de Virunga, que foi classificado como património mundial da UNESCO em 1925. Apesar disso, sofre com atividades ilegais como caça furtiva, e desde esse ano, mais de 200 guardas florestais foram assassinados. E não parece que o número vá parar de aumentar, pois no início de este ano mais 6 foram mortos. 

A importância do governo

Existe uma relação entre os ataques mortíferos registados e o nível de liberdades civis no país. Os ataques, sejam assassinatos, como outros tipos de ataques, acontecem mais em países com tendências autocráticas. Os governos falham em proteger os ativistas, muitas vezes permitindo que empresas violem direitos humanos e cometam crimes ambientais. Ademais, devido às relações de poder a favor das grandes corporações, raramente são julgadas em tribunal. E se forem, é provavelmente que seja a pessoa que foi contratada para realizar o assassinato e não quem ordenou. 

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The truth is: the natural world is changing. And we are totally dependent on that world. It provides our food, water and air. It is the most precious thing we have and we need to defend it.

David Attenborough