ESTIMA-SE QUE, TODOS OS ANOS, OS OCEANOS SEJAM POLUÍDOS COM CERCA DE 4,8 MILHOES A 12,7 MILHÕES DE TONELADAS DE PLÁSTICOS.

Tête-à-tête com Joana Borda d’Água

Joana Borda d'Água

Quem me conhece sabe que tenho uma loja preferida que nunca paro de falar. Pertence à tipologia de comércio local e está cheia de produtos sustentáveis que nos ajudam a levar uma vida mais consciente e ética. 

Falo da Drogaria Nova, localizada em Abrantes, a minha terra natal, e um ponto de obrigatório de visita se tiverem na zona! 

A Drogaria Nova foi renovada e é gerida pela Joana, mas já foi do seu avô. A Joana está muito bem acompanhada pela Lúcia, e juntas fazem uma dupla fantástica e simpática que arranca sorrisos a todos os que lá vão. 

Fiquem a conhecer a história da Drogaria Nova e da Joana, neste incrível entrevista!

(Crédito da foto de capa:  Nuno Caetano Pais, no instagram @nunocaetanopais, que tem imensas fotos fabulosas).

Fala-nos um bocadinho sobre ti, para os nossos leitores te conhecerem.

Nasci em Abrantes, a cidade mais central do nosso país, e foi aqui que vivi sempre, excepto durante os anos da minha formação em Arquitectura, em Coimbra, cidade que também adoro. Trabalhei alguns anos como arquitecta, mas não era feliz assim. Acho que sou daquelas pessoas que não consegue trabalhar em algo de que não goste mesmo sem ficar deprimida e, apesar de gostar muito de arquitectura, de apreciar a arte e os seus conceitos, fazê-la não é para mim. Agora sou conhecida na minha terra como “a Joana da Drogaria” e gosto muito mais do que “arquitecta Joana”!
Além disto, adoro viajar, comer (mas não tanto cozinhar), arte sob todas as formas e cães!

Quais os valores que te movem?

Gosto de fazer tudo com amor; a honestidade é para mim muito importante; sou exigente com os outros mas também o sou comigo (saio à minha mãe); gosto de acreditar numa sociedade em que a bondade e a solidariedade são armas poderosas.

Conta-nos um pouco da história da Drogaria que era do teu avô.

O meu avô abriu a Drogaria em 1943 e foi a primeira de várias lojas que teve no centro histórico de Abrantes. Foi sempre aquela que mais me fascinou, talvez pelos seus armários, ou pelo cheiro característico (que ainda hoje tem). Quando era miúda passava algum tempo na loja, saía da escola e ia ter com ele. O espaço manteve-se praticamente sempre igual, até que em 2013 decidimos renovar o espaço e o conceito.

E como surgiu a ideia de “renovar” a Drogaria?

Sempre foi um espaço acarinhado pela minha família e sempre tivemos ideias para o renovar e não deixar morrer. Em 2013, eu estava insatisfeita com a minha situação precária de arquitecta, precisava de fazer outra coisa de que gostasse mesmo e, em conjunto com a minha família, decidimos que eu seria responsável pela renovação da loja, de forma a que se ajustasse ao presente, sem perder a sua personalidade. Lembro-me bem do dia em que tomámos essa decisão e da alegria que senti!

Na Drogaria Nova apostam em muitas marcas locais e/ou Portuguesas. Qual a importância de apoiar o comércio local?

Um dos objectivos iniciais foi o de provar que em Portugal há marcas e produtos de uma qualidade excepcional. Tínhamos como exemplo as lojas d’A Vida Portuguesa, que fazem isso mesmo e que acredito que foram responsáveis pela salvação de algumas empresas nacionais e modelo para tantas outras lojas como a nossa. Em 2013 estávamos ainda em plena crise económica e um dos nossos lemas foi sempre o de apoiar o que é nacional, pois estamos a ajudar-nos a nós próprios. Muitos dos nossos produtos vêm de pequenas empresas, algumas familiares, e essa é uma economia muito importante para o nosso país. Além disso, várias dessas empresas são da nossa região, ou seja, estamos literalmente a apostar em pessoas que conhecemos, que são nossas amigas ou que são amigas ou familiares de outros nossos amigos. O dinheiro que gastamos ao comprar os seus produtos é dinheiro que fica cá, é um investimento em nós e na nossa comunidade.

Também têm muitas marcas que são sustentáveis. Qual a aderência das pessoas a estes produtos sustentáveis?

Sentimos que, cada vez mais, as pessoas estão preocupadas com o impacto que causam no ambiente as acções que têm no seu dia-a-dia, por mais insignificantes que possam parecer. Há uma procura maior por produtos mais sustentáveis e nós tentamos sempre corresponder a esta preocupação. A nossa oferta deste tipo de produtos tem crescido imenso e os nossos clientes também nos dão a conhecer novas marcas e produtos.

No teu dia-a-dia como tentas ser mais sustentável?

Desde que aprendi na escola primária a importância de respeitarmos a natureza que tenho vindo sempre a tentar perceber o que posso fazer nesse sentido. Comecei desde pequena a tentar mudar pequenos hábitos como reciclar, fechar a água quando não a estou a usar, apagar as luzes, etc. Depois comecei a perceber que podia fazer ainda melhor, comecei a levar os meus sacos para ir às compras, prestava atenção aos materiais das embalagens. Nunca fui de comprar muitas coisas, tenho camisolas com mais de 10 anos, mas cada vez mais tento ser responsável ao comprar. Isso passa também por dar primazia ao comércio local e é nas pequenas lojas que adoro fazer compras. Quando comecei a trabalhar na Drogaria Nova, essas preocupações tomaram outra dimensão: a minha loja tinha que ser sustentável na sua logística do dia-a-dia, mas tinha também que ter uma oferta de produtos consciente. O meu avô era das pessoas mais “poupadas” que já conheci, reaproveitava tudo. Na loja, fazemos isso mesmo, por exemplo, reutilizamos materiais das encomendas que recebemos, como caixas, papéis, etc. Temos também cada vez mais produtos que vendemos a granel, como os detergentes, por isso guardamos embalagens para serem reutilizadas pelos nossos clientes. Temos também vários clientes que nos trazem embalagens vazias a mais, para servirem a outros clientes que eventualmente não venham prevenidos e isso é óptimo!

Qual um desejo teu para o futuro?

Um desejo que é também uma esperança: que o mundo acorde de uma vez por todas para o problema das alterações climáticas e dos seus impactos em todos nós, e que se una para, em conjunto, trabalhar nas soluções.

Sugestões da Joana

Pessoa que me inspira: Catarina Furtado

Filme: “Melancolia”, de Lars Von Trier

Claúdia_R_Sampaio

Livro: “Já não me deito em pose de morrer”, da Cláudia R. Sampaio

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