ESTIMA-SE QUE, TODOS OS ANOS, OS OCEANOS SEJAM POLUÍDOS COM CERCA DE 4,8 MILHOES A 12,7 MILHÕES DE TONELADAS DE PLÁSTICOS.

Caderneta Sustentável I Francisca Assunção (Meaningful Flavours)

Meaningful Flavours

Uma caderneta sustentável? O que é isso? Vamos ter cromos físicos? Não, descansem. Trata-se da nova rúbrica do Reciclar Não Chega!                       

Assim, numa altura em que estamos em confinamento, pretendemos alertar-te para a necessidade de, também neste período, não te esqueceres de que é necessário atuar. Neste sentido, convidámos alguns influenciadores e marcas a dar o testemunho, mostrando-nos que a mudança não é assim tão difícil. 

Seja através da redução do nosso consumo, da alimentação, do apoio à economia circular ou, simplesmente, mostrando à nossa rede o que tem vindo a acontecer naquele que é o NOSSO Planeta.

A convidada de hoje é a Francisca Assunção mais conhecida pela sua página de Instagram e site Meaningful Flavours. Querem conhecê-la?

Caderneta Sustentável I Especial Confinamento (13 - Autocolante extra)

1. Quem é a Francisca?

Boa pergunta! Acho que é aquela em que todos costumamos ter dificuldade 🙂 Sou uma rapariga de 19 anos, que vive no Porto e é apaixonada por culinária e por um estilo de vida saudável e sustentável. Sou a autora do Meaningful Flavours (um projeto que me é muito querido) e estudo Engenharia e Gestão Industrial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Tenho também uma cadelinha chamada Moon, que é como se fosse parte de mim.

2. Sabemos que um dos pontos mais importantes para uma vida mais sustentável é ter uma alimentação plant based. Qual consideras que é o passo mais simples e/ou importante para deixar de consumir alimentos de origem animal?

O passo mais simples e importante é fazermos o melhor que nos for possível. Ou seja, em vez de termos uma abordagem “tudo ou nada”, em que ou somos 100% vegan ou então não mudamos nada, devemos procurar fazer aquilo que conseguimos em cada altura. Isso pode significar fazer apenas uma refeição vegetariana por semana, reduzir ou deixar de comer carne ou até mesmo adotar uma alimentação 100% vegetal. Cada um sabe aquilo que lhe é possível e cada passo, por mais “pequeno” que seja, faz a diferença. É nisso que nos devemos focar.

3. Alguns jovens gostariam de ter uma alimentação mais plant based. No entanto, os pais acabam por ser um entrave, tendo em conta o seu desconhecimento na matéria. Como foi a aceitação dos teus pais quando te decidiste tornar vegetariana estrita?

Tenho a sorte de ter na família uma tia vegana (há muitos anos) e uma tia ovolactovegetariana, pelo que o vegetarianismo sempre esteve presente no ambiente familiar. Mesmo assim, quando falei com os meus pais e lhes disse que queria ser vegetariana, eles ficaram um pouco receosos, o que é perfeitamente normal, devido ao tal desconhecimento. Sabiam o que era o vegetarianismo, mas nunca tinham contactado com a evidência que o suporta. Por outras palavas, não sabiam que a alimentação vegetariana bem planeada é nutricionalmente adequada a qualquer fase do ciclo de vida. Não nos podemos esquecer de que os pais querem sempre o melhor para nós, portanto, o que tentei fazer foi mostrar-lhes que a opção que queria seguir era adequada.

Assim, na mesma conversa em que lhes contei que queria ser vegetariana, disse também que queria ir a uma consulta com uma nutricionista especializada no tema e que queria que eles fossem comigo. Tratei de marcar tudo e fomos. Foi uma solução perfeita! Todas as dúvidas e receios que pudessem ter, desapareceram. Quando saímos, disseram-me que podia ser vegetariana à vontade 🙂 Uma coisa engraçada é que agora, quando me fazem as típicas perguntas “E a proteína? E a vitamina B12? (…)”, até costuma ser o meu pai a responder e a explicar tudo direitinho em como não há qualquer problema!

4. Se pudesses dar um conselho aos jovens que estão a tentar ter uma vida mais sustentável, qual darias?

É um pouco como o conselho para adotar uma alimentação plant based. Vão ao vosso ritmo, passinho a passinho e não se martirizem sempre que não conseguirem fazer algo ou quando tiverem de realizar uma ação que não seja a melhor a nível de sustentabilidade. Levar um estilo de vida sustentável engloba muitas áreas, muitos fatores e pode até ser confuso… É mesmo um grande desafio! Como tal, em vez de tentarmos ser “perfeitos” e desistirmos ao fim de uma semana, devemos ir avançando aos poucos, com mudanças que sejam práticas e fáceis de implementar naquela que for a nossa rotina. Mudanças que nos sejam possíveis de manter.

5. De todas as receitas que partilhas no blog, quais recomendarias a alguém que não acredita que uma alimentação plant based pode ser deliciosa e nutritiva? (por exemplo dois pratos principais e duas sobremesas/doces)

Uhh, pergunta gira! Eu sou suspeita porque adoro todas eheheh, mas vou escolher uma receita que tem feito muito sucesso (é a mais recriada do blog), por ser muito simples, fácil e saborosa: bolonhesa de feijão frade!

O outro prato principal pode ser um que gosto muito de fazer para os meus amigos e família: arroz de jaca e cogumelos no forno. É inspirado numa receita da minha mãe e ela é a sua fã nº1!

De docinhos, recomendaria os queques de banana e alfarroba (costumo dizer que encantam toda a gente) e o crumble de maçã, caju e vinho do Porto (idealmente acompanhado de uma bolinha de gelado caseiro de banana e baunilha – yummy!).

* Carreguem em cima do nome do prato para abrirem o site com cada receita.

6. Costumas fazer compras a granel? Se sim, qual o teu feedback?

Sim e adoro! No início dos inícios, pode ser algo estranho e envolver alguma logística, mas isso rapidamente passa e torna-se um hábito intuitivo. Aliás, agora o “estranho” para mim é quando tenho de comprar produtos embalados 🙂 Tenho a sorte de ter uma mercearia biológica com uma grande secção a granel perto de casa (com frutos secos, leguminosas, cereais integrais e até mesmo especiarias), pelo que basta sair de casa com os meus frasquinhos de vidro reutilizados, registar os pesos (para ser mais fácil, costumo colar uma etiqueta com o peso na parte de baixo do frasco; assim, basta pesar na primeira vez) e enchê-los. Em casa, é só abrir o armário e guardar! Nada mais simples.

Com a fruta e os legumes, é igualmente fácil. E aqui nem precisamos de lojas especializadas! Basta pegar nas maçãs, peras, bananas, curgetes, couves… e colocá-las diretamente no saco das compras, sem pegar no saco de plástico. Quando for necessário pesar e colar a etiqueta com o código de barras, podemos colá-la numa das peças de fruta (numa das maçãs, peras, etc.). É muito fácil e cá em casa todos o fazemos! Para fruta e legumes mais sensíveis e pequeninos, como tomate cereja, convém termos uns saquinhos reutilizáveis mais pequenos para os colocarmos, de modo a que não se estraguem.

7. Acreditas que os jovens se interessam cada vez mais no tema da sustentabilidade? O que poderia ser feito para motivar as gerações atuais a ter uma vida mais amiga do ambiente?

Sim, sem qualquer dúvida! Sinto que me vou repetir no que vou dizer a seguir, mas é mesmo nisto que acredito. A melhor forma de motivar as gerações atuais é mostrar como pode ser fácil termos uma vida mais amiga do ambiente e que não temos de ser perfeitos. Claro que é desafiante, claro que pode ser confuso. Mas também há mudanças muito simples e é nessas que nos devemos focar. Guardar a água de aquecer o banho, evitar o desperdício alimentar, fazer mais refeições vegetarianas. Se deixarmos o perfecionismo de lado e nos focarmos naquilo que nos é possível fazer e que sabemos que vamos conseguir manter a longo-prazo, estamos no caminho certo. Vamos também tentar deixar os julgamentos de lado e procurar inspirar de uma forma positiva aqueles que ainda estão muito longe de um estilo de vida amigo do ambiente. Nunca ninguém conseguiu convencer outra pessoa com críticas e insultos. Aliás, esses têm precisamente o resultado oposto ao pretendido.

8. Se pudesses mudar uma coisa no mundo com um impacto ambiental positivo, o que farias?

Mudaria a alimentação das pessoas para uma alimentação 100% vegetal, já que é algo que adoraria ver a acontecer 🙂

Não de uma forma imposta, mas sim, já que estamos a falar em termos hipotéticos, se tivesse o poder de mudar mentalidades e de fazer as pessoas verem como é fácil, delicioso e bom para todos! E mostrando que não precisam de prescindir de sabores e daquilo que são.

Se querem ser saudáveis, podem ser vegetarianos saudáveis. Se gostam de comida tradicional portuguesa, podem ser vegetarianos tradicionais portugueses. Contudo, aqui estamos a falar em termos utópicos. Na prática, não é possível tornarmo-nos todos vegetarianos estritos ou veganos de um dia para o outro. Todavia, a longo-prazo, é um caminho que podemos percorrer. E podemos um dia atingir a meta!

Partilhe este post

Share on facebook
Share on linkedin
Share on email
Share on whatsapp
Share on twitter

Deixe uma resposta

RECICLAR NÃO CHEGA

The truth is: the natural world is changing. And we are totally dependent on that world. It provides our food, water and air. It is the most precious thing we have and we need to defend it.

David Attenborough