ESTIMA-SE QUE, TODOS OS ANOS, OS OCEANOS SEJAM POLUÍDOS COM CERCA DE 4,8 MILHOES A 12,7 MILHÕES DE TONELADAS DE PLÁSTICOS.

Caderneta Sustentável I Joana Guerra Tadeu

Joana Guerra Tadeu

Uma caderneta sustentável? O que é isso? Vamos ter cromos físicos? Não, descansem. Trata-se da nova rúbrica do Reciclar Não Chega!                       

Assim, numa altura em que estamos em confinamento, pretendemos alertar-te para a necessidade de, também neste período, não te esqueceres de que é necessário atuar. Neste sentido, convidámos alguns influenciadores e marcas a dar o testemunho, mostrando-nos que a mudança não é assim tão difícil. 

Seja através da redução do nosso consumo, da alimentação, do apoio à economia circular ou, simplesmente, mostrando à nossa rede o que tem vindo a acontecer naquele que é o NOSSO Planeta.

A convidada de hoje é a Joana Guerra Tadeu também conhecida por Ambientalista Imperfeita

Caderneta Sustentável I Especial Confinamento (7)

Joana Guerra Tadeu

1. Quem é a Joana Guerra Tadeu?

Ui, que enigma existencial… Mulher, companheira, mãe, filha, nora, irmã, ativista, sempre em (r)evolução. Impactfluencer de profissão, que é o termo que inventei para descrever uma criadora de conteúdos que se dedica aos temas do impacto social e ambiental.

2. Porque te consideras uma "ambientalista imperfeita"?

Porque faço o melhor que posso para ter um impacto positivo no planeta e nas pessoas sem prejudicar o bem-estar da minha família – e esta é uma avaliação que faço continuamente, com muita lucidez e consciência. Sempre que algo deixa de ser desafiante lanço-me numa nova investida que permita à nossa família ter uma vida plena e mais sintonizada com o que é bom para todas e todos.

3. Como é que te surgiu o conceito "impactfluence"?

Queria começar uma rubrica de diretos em que entrevistasse pessoas envolvidas em projetos com impacto social e/ou ambiental positivo.

Telefonei a uma amiga e disse-lhe que precisava de um nome para a rubrica. Batemos umas bolas e, como adoro criar palavras que não existem com trocadilhos com outras que existem (o meu podcast de conversas com mães chama-se Puericooltura, por exemplo), joguei com as palavras “impacto” e “influência” e levámos cinco minutos a chegar a “impactfluence” e “impacfluencer”. 

Depois foi uma semana para decidir qual das duas usar para titulo dos diretos às 21h de quinta-feira.

4. Quais foram os principais obstáculos para que adoptasses um estilo de vida mais sustentável?

Ultrapassar a fase adolescente de rebelião contra os pais e a normatividade familiar.

Cresci com pais muito conscientes e ativos politicamente, por isso, passei os primeiros anos de adulta a fingir que a política e a sustentabilidade não me interessavam.

Tive uma depressão porque estava a construir uma vida que não coincidia com os meus valores. A psicoterapia permitiu-me ver isso claramente e a partir daí foi só agir.

Em termos práticos foi difícil transmitir a alguns familiares o facto de não querer receber presentes para mim e para a minha filha sem serem discutidos comigo primeiro. Tirando isso, a compostagem e a mobilidade têm sido as adaptações mais falsas partidas.

5. Como gerir sustentabilidade e maternidade? Por exemplo, como se alcança o equilíbrio entre o consumo de artigos descartáveis que geram muito lixo, e o de produtos reutilizáveis com uma taxa de esforço adicional (ex: fraldas descartáveis vs fraldas reutilizáveis)?

Não há dois bebés iguais, não há dois agregados familiares iguais, por isso, não há uma fórmula. Com a nossa família optámos por evitar todos os descartáveis ligados ao bebé em casa e abrir exceções em saídas prolongadas e férias, situações que usávamos fraldas descartáveis de bambu e toalhitas descartáveis.

Resultou muito bem e trouxe poupança de recursos, poupança de dinheiro e paz de espírito. Para nós foi o equilíbrio perfeito, mas há muitas famílias para quem não são precisos descartáveis para sentir esta plenitude.

É preciso ser justo e sério nesta avaliação, não dizer só “para nós não dá para apostar em reutilizáveis de todo” por comodismo ou receio.

Tenho, no meu IGTV, uma proposta de enxoval consciente.

6. Joana Guerra Tadeu, qual consideras ser o passo mais simples para uma vida mais sustentável?

Comer menos carne. Simples. Já que a agropecuária é a indústria de bens de consumo que mais afeta o planeta, reduzir o consumo de carne, nem que seja um bocadinho, é o passo menos radical para o bem-estar e mais radical para a pegada de carbono de um indivíduo.

7. Qual deve ser o caminho das marcas de grande consumo para abraçar uma produção e embalamento mais ecológico?

Decrescer de forma planeada e inovar no modelo de negócio com vista à economia circular. Basicamente, explorar menos recursos, produzir menos produtos e vender menos produtos, criando modelos de sucesso que não dependem exclusivamente destas métricas.

8. De que forma é que nós, consumidores, podemos pressionar as marcas a pensarem “sustentável”?

Lembrando-nos que antes de sermos consumidores somos cidadãos. Cidadãos têm poder e responsabilidade política.

Assim, além de quem é privilegiado o suficiente para isso poder e dever votar com a carteira – comprando a marcas mais responsáveis – devemos votar em governantes que realmente nos representem e às nossas preocupações com a sustentabilidade, porque são as leis e regulamentações locais, nacionais, europeias e globais que realmente vão exercer pressão nas grandes empresas. Votar, pedir ação, manifestar descontentamento quando ela tarda.

9. “Eu voto pelo clima”. O que dirias a alguém que acha que a sustentabilidade e a política não estão relacionados?

“ACORDA!”. A política não é tudo mas tudo é política. Tenta contar a história social, ambiental ou económica do Pais sem falar de decisões políticas. Impossível.

10. Se conseguisses voltar atrás no tempo, qual o conselho que darias à Joana Guerra Tadeu no momento em que decidiu mudar o seu estilo de vida?

Começa já e vai com tudo que não custa nada e as tuas pessoas estão prontas para a viagem.

11. Conta-nos um episódio que marcou a tua vida enquanto “Ambientalista Imperfeita”.

Curioso: estou aqui a pensar e as duas primeiras coisas de que me lembrei foram a primeira vez que fui plagiada (há quem diga que a cópia é o maior elogio) e o primeiro comentário de um “hater” que usou o termo “anti-fascista” como insulto. 

Fiz uma festa. Depois vieram os amigos juntar-se a ele e ao terceiro deixou de ter piada. O dia está ganho sempre que recebo uma mensagem a agradecer uma partilha de conteúdo, um abraço (lembram-se de receber abraços?!) no final de uma palestra ou um e-mail a pedir mais episódios do podcast.

Cada “chá” que me compram na plataforma Buy me a coffee também resulta numa dancinha de festejo. Há muitos episódios marcantes, felizmente.

Joana Guerra Tadeu

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RECICLAR NÃO CHEGA

The truth is: the natural world is changing. And we are totally dependent on that world. It provides our food, water and air. It is the most precious thing we have and we need to defend it.

David Attenborough