ESTIMA-SE QUE, TODOS OS ANOS, OS OCEANOS SEJAM POLUÍDOS COM CERCA DE 4,8 MILHOES A 12,7 MILHÕES DE TONELADAS DE PLÁSTICOS.

Caderneta Sustentável I Cláudia Oliveira (The Vegan Cashier)

The Vegan Cashier

Uma caderneta sustentável? O que é isso? Vamos ter cromos físicos? Não, descansem. Trata-se da nova rúbrica do Reciclar Não Chega!                       
Assim, numa altura em que estamos em confinamento, pretendemos alertar-te para a necessidade de, também neste período, não te esqueceres de que é necessário atuar. Neste sentido, convidámos alguns influenciadores e marcas a dar o testemunho, mostrando-nos que a mudança não é assim tão difícil. 

Seja através da redução do nosso consumo, da alimentação, do apoio à economia circular ou, simplesmente, mostrando à nossa rede o que tem vindo a acontecer naquele que é o NOSSO Planeta.

A convidada de hoje é a Cláudia Oliveira ou, mais conhecida como The Vegan Cashier. Querem conhecê-la? 

Caderneta Sustentável I Especial Confinamento (3)

The Vegan Cashier

1. Quem é a Cláudia Oliveira?

A Cláudia Oliveira é uma cidadã do mundo, como gosta de se ver, que tenta ser mais consciente possível no tempo que tem na Terra. É uma pessoa que, como é normal, erra bastante, mas que tenta sempre deixar a melhor pegada possível atrás de si. Que tenta nunca se calar quando o assunto é defender os que não têm voz, ou cuja voz não está a ser ouvida. Tem 28 anos, nasceu em Espinho e já viveu um pouco por todo o país. Amo viajar, ler e estar com os meus cães na praia.

2. Plant Powered and Based, é esta a descrição que está na tua Bio. Qual o momento em que decidiste mudar a tua alimentação?

Finais de 2014, se não estou em erro. Sempre tive consciência do impacto de uma alimentação vegetariana/vegana nos animais, mas nunca me tinha apercebido dos impactos a nível ecológico e ambiental. Sou uma daquelas pessoas que se tornou vegetariana – e, posteriormente vegana, depois de ver o documentário Cowspiracy, da Netflix.

No fundo, acho que foi uma razão (talvez a mais impactante para mim), mas poderia ter sido outra qualquer. Primeiramente, fi-lo pelos animais e pelo ambiente. Depois veio tudo o resto (sustentabilidade, a minha saúde, etc)… mas acho que sempre tive bem presente a ideia de que eu não preciso de matar para viver.

3. Que conselhos darias a alguém que poderá estar a pensar adoptar uma dieta à base de plantas?

Acima de tudo e em primeiro lugar: uma coisa de cada vez.

Eu fui muito rápida e radical no meu processo e não foi muito fácil assim. Funcionou sempre, mas poderia não ter funcionado e podia ter dado azo a um retrocesso. Vão fazendo escolhas conscientes, aos poucos, e alterando coisas que não fazem mesmo diferença no dia-a-dia. O leite é um ótimo exemplo. Diminuir (ou acabar, mesmo) com o consumo de leite é imperativo e muito significativo, para a indústria e para a vida dos animais.

Outra coisa muito importante, é a informação. Há muita coisa a ser dita em muitos lados, muitos mitos, etc… mas saber informar-se, saber ler e saber pesquisar é muito importante e pode ajudar-nos a manter este estilo de vida consciente.

4. Sendo vegan, quais as tuas maiores dificuldades quando vais ao supermercado?

Hoje em dia, não tenho tantas. Já posso dizer que vou ao supermercado descansada que sei que saio de lá com algo para comer, que não seja pão ou fruta.

Há, claro, uma certa inflação nos preços dos produtos veganos de substituição de refeições, mas não temos sempre de ir por aí, também. 

E, mesmo que só coma pão ou fruta, sei que é uma forma mais clean de me alimentar.

Mas hoje em dia, é muito mais fácil. Mesmo nos supermercados pequenos.

Convém, no entanto, nunca descurar a leitura dos rótulos, porque infelizmente ainda há muitos produtos que levam leite, ou soro de leite, sem nenhuma necessidade.

Vegan Cashier

5. Para além da dieta Plant Based, quais foram os passos que deste rumo a uma vida mais amiga do ambiente? 

Tudo aquilo que inclui reduzir a minha pegada ecológica… a redução do uso de plásticos (infelizmente aqui ainda estou com falhas grandes), andar menos de carro, consumir produtos em segunda mão, por aí… tento sempre reutilizar o máximo que consigo, tento fazer sempre a minha parte e alertar os outros para pequenas mudanças que podem ajudar.

6. Paralelamente à tua relação com o veganismo, és também bastante ativista nas tuas redes sociais. Que outros valores defendes diariamente na tua página de Instagram?

Antes de mais, vou deixar aqui a ressalva que, tudo aquilo que defendo dentro da minha plataforma Online, faço-o cá fora com a mesma força. Infelizmente, a voz não chega tão longe na rua do que chega nas redes sociais e, por isso, uso a plataforma para chegar a mais pessoas.

Assim, tudo o que seja lutar contra racismo, homofobia, xenofobia, qualquer tipo de preconceito étnico-racial, capacitismo, especismo, e mesmo lutar contra grandes forças e movimentos nacionalistas e de extrema-direita…. Eu coloco-me, sempre que possível, numa das frentes que defendem as liberdades e direitos das pessoas. Lutarei sempre contra fascismo, preconceito e discriminação.

Muitas vezes até sem pensar no que é que me estou a colocar. Mas, se eu posso lutar, é porque tenho um certo privilégio que não teria, se alguém não tivesse também lutado por mim. E, por isso, sinto que lhes devo a minha luta.

7. Costumas adquirir roupa em segunda mão? Que feedback tens relativamente a esta forma de economia circular?

Sempre que posso! Por norma, até prefiro aceitar de amigos, do que Thrift Shopping.

Antes torcia mais o nariz a isso, porque sendo irmã mais nova sempre fiquei com as roupas da minha irmã e era muito chato.

Mas hoje em dia, agradeço a quem me queira dar coisas (que eu goste, também, claro).

Não tenho nenhuma paciência para comprar roupas… Aquela coisa toda de experimentar, entrar nas lojas, escolher tamanhos… não consigo, mexe mesmo comigo. Ou já sei o que quero, entro e compro, ou então acabo por perder a vontade e saio de lá sem o que queria, e chateada.

Adoro comprar em segunda mão pelo impacto que tem, porque é mais barato e porque sabemos que estamos a reaproveitar algo que serve exatamente para ser usado…

8. Conta-nos um episódio que marcou a tua vida enquanto “Vegan Cashier”.

Tive muitos, mas aquelas situações em que estava no supermercado e os clientes comentavam sobre eu não saber o que perdia ao não comer carne…. mas eu passei 22 anos da minha vida a comer carne e alimentos de origem animal.

Eu sei aquilo que perdi, que é absolutamente nada, além de certos sabores ‘familiares’, que eu consigo encontrar em comidas plant-based.

9. Se pudesses mudar uma coisa no mundo com um impacto ambiental positivo, o que farias?

Eu faria mesmo com que as pessoas parassem de comer animais…. Não faz sentido, já nem pelo sabor, e seríamos muito mais felizes e o Planeta mais saudável. Além disso, alimentaríamos muita gente que, hoje em dia, não tem o que comer.

Caderneta Sustentável The Vegan Cashier

Partilhe este post

Share on facebook
Share on linkedin
Share on email
Share on whatsapp
Share on twitter

Deixe uma resposta

RECICLAR NÃO CHEGA

The truth is: the natural world is changing. And we are totally dependent on that world. It provides our food, water and air. It is the most precious thing we have and we need to defend it.

David Attenborough